Alarme: Pesticidas & Parkinson

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maçaO “Milagre” dos Pesticidas chama-se Parkinson e está à nossa Mesa!

 

Artigo publicado na Associação Movimento Terra Solta.

No Cantinho dos Philos, podem aceder a outros artigos que escrevi.

O homem superior compreende o que é certo;

o homem inferior só compreende o que pretende impingir” Confúcio

 

Depois da II Guerra Mundial, os pesticidas (também designados por produtos fitofarmacêuticos ou agroquímicos) foram publicitados como “o milagre” que iria ajudar na reconstrução de uma Europa devastada. As nossas colheitas iriam aumentar, permitindo alimentar uma população esfomeada e desnutrida. O problema, como sempre, seria avaliar quais os efeitos deste “milagre” a longo prazo

 

A jornalista francesa Marie-Monique Robin, autora do reputado livro e documentário “O Mundo Segundo a Monsanto” (Robin, 2008), investigou durante vários anos o sistema de regulamentação de resíduos de pesticidas nos alimentos, chegando à conclusão que este é controlado pela indústria química e que não tem bases científicas sólidas ou credíveis, acrescentando: “os resíduos de pesticidas presentes nos alimentos, são geridos por um sistema de regulamentação arbitrário e aproximativo” (Robin, 2011). Assim, por exemplo, o NEAO em animais (Nível de Efeito Adverso não Observado, que corresponde à dose maior de produto que pode ser administrada a animais de laboratório sem que se produzam efeitos tóxicos) é transposto para o DDA em humanos (Dose Diária Aceitável, que corresponde à quantidade máxima do produto que, ingerida diariamente durante toda a vida, não oferece risco apreciável de saúde) por um factor de segurança de 100. Este factor de 100, no qual se baseia a segurança da nossa saúde, foi estipulado sem bases científicas algumas numa reunião nos anos 60, e é ainda hoje usado em toda a indústria química para estabelecer a DDA. A prática “transparente” dos cálculos destes índices segue com o LMR (Limite Máximo de Resíduo, que corresponde à concentração máxima de resíduo químico aceite num produto) que é avaliado a partir de informações de acesso restrito já que estão abrangidas pela protecção de dados industriais. Assim, as empresas industriais limitam-se a enviar sumários destes dados para comités como o JECFA (Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives) para que estes possam estabelecer o LMR de cada produto agrícola.

 

Muitos especialistas opinam que, para estes valores (NEAO, DDA e LMR) serem dignos de confiança, somente os dados relativos ao processo de fabrico industrial deveriam estar sob a cláusula da confidencialidade, e que os dados toxicológicos relativos à saúde e segurança dos consumidores deveriam ser do domínio público. Na verdade, se estes valores fossem tão seguros como afirmam, como explicar que de quando em quando haja “reajustes” nos valores fixados (ex.: alteração do LMR do fungicida procimidona)? Adicionalmente, a fiabilidade destes índices (NEAO, DDA e LMR) depende do nível de qualidade dos estudos de laboratório efectuados para a sua estimação, que segundo alguns investigadores, não atingem o critério de qualidade desejável em certos casos. Quando confrontada por Marie Robin, Bernadette Ossendorp, presidente da FAO (Food and Drug Administration) para a JMPR (Joint FAO/WHO Meeting on Pesticide Residues), acaba por afirmar que, se o que se pretende é um risco zero, os pesticidas não deveriam ser usados, mas que isso é uma decisão política e económica que ninguém quer assumir. Será este risco aceitável em relação ao benefício? Ou será que diz respeito ao risco que os consumidores correm, em relação ao benefício que a indústria química colecta?

 

Passado já mais de meio século de uso massivo de pesticidas pela agricultura intensiva, algumas consequências são já patentes, e as investigações continuam. Sabemos que os resíduos de pesticidas não se encontram somente nos alimentos tratados, mas, também, são transportados através do ar, da chuva e dos cursos de água (http://www.mdrgf.org/). Estes resíduos foram detectados em tecidos cerebrais, no sangue, no leite materno, na placenta, no fígado, na urina e no esperma dos seres humanos, entre outros (Lyons, 1999). Só na Europa são pulverizadas anualmente 140.000 toneladas de pesticidas nos nossos alimentos (!). Segundo as estatísticas da OMS (Organização Mundial de Saúde), cada ano 3 milhões de pessoas que trabalham no sector agrícola sofre de intoxicação aguda por pesticidas, dos quais milhares morrem. No entanto, outros estudos epidemiológicos apontam para números muito maiores (Jeyaratnam, 1990). Em Portugal, a listagem de pesticidas autorizados para venda compreende 32 páginas (!) onde se encontram inúmeros produtos (cerca de 890) das empresas SAPEC, BASF, Du Pont, Monsanto, Bayer, Syngentia, Dow, entre outras (http://www.aiho.pt/docs/Lista%20produtos%20venda%20autorizada%20pc_Ago.09.pdf).

 

Os agricultores encontram-se expostos a doses elevadas de pesticidas e são, como tal, os mais atingidos pelos seus efeitos nefastos. Assim, estudos iniciados nos anos 90, apontam para uma maior incidência da doença de Parkinson e certos tipos de cancro (ex.: leucemia, cérebro, próstata, pele, fígado) nos trabalhadores agrícolas. Apesar da indústria química continuar a negar estas associações, as publicações científicas sucedem-se e as provas tornam-se evidentes (Elbaz, 2009; Tanner, 2009; Montojo, 2010). Para remediar, depois de nos terem intoxicado diária e sistemáticamente e após se sofrer da doença de Parkinson, toma-se uma bateria de remédios químicos (por coincidência quem ganha novamente é o sector da indústria química…) e implantam-se uns eléctrodos no cérebro que, apesar de não impedir a evolução da doença de Parkinson, podem aliviar os seus sintomas. No caso do implante não dar os resultados desejáveis, faz-se uma nova re-implantação de modo a corrigir a posição dos eléctrodos dentro do cérebro (Anheim, 2008). Isto é, sem dúvida, uma encantadora perspectiva de vida!…

 

Mas, não são apenas os trabalhadores agrícolas que são vítimas dos pesticidas. Todos nós o somos, particularmente as crianças que são mais vulneráveis, uma vez que o seu organismo ainda está em desenvolvimento e é exposto diariamente a múltiplos produtos químicos nocivos. No documentário “Nos enfants nos accuseront” (Jaud, 2008) diz-se que estamos perante a primeira geração de crianças da história que viverá menos que os seus pais, devido à exposição contínua desde a infância a uma elevada carga tóxica, oriunda em grande parte dos alimentos ingeridos. Podem escutar-se a opinião de diversos científicos e o testemunho de vários pais cujos filhos foram afectados e ver quais as opções que estão em curso para modificar este absurdo sistema para que mais tarde “os nossos filhos não nos acusem” do que lhes foi feito.

 

No entanto, se a experiência de países como a Suécia ou a Indonésia nos demonstraram que, apesar de reduzirem em mais de metade o uso de pesticidas, conseguiram ainda aumentar as suas colheitas, o que é que nós andamos a fazer? A alimentar o lobbie da indústria química!? Porque é que nos deixamos levar pela inércia de um sistema estabelecido sem nunca o questionarmos ou nos informamos? Porque é que continuamos a convidar o Parkinson, o Cancro, a Infertilidade e todos os seus apocalípticos amigos para a nossa mesa?! A quem puder e quiser, proponho uma visita às inúmeras quintas biológicas já estabelecidas, e em desenvolvimento, em Portugal, a procura de cabazes semanais fornecidos pelos agricultores biológicos (se se informar ficará provavelmente surpreso ao saber que há uma quinta ou associação perto de si que fornece estes cabazes com produtos da época) e, caso não se tenha acesso aos cabazes, pode-se recorrer à obtenção destes produtos em grandes superfícies. Escolher de preferência os produtos de origem portuguesa como sugerido pelo movimento 560 (http://560.adamastor.org/). Além disso, existem várias iniciativas a decorrer em Portugal, como esta do Terra Solta (http://terrasolta.org/sobre/) cujo movimento inclui o desenvolvimento de hortas comunitárias sustentáveis já reconhecidas a nível nacional (http://terrasolta.org/2011/05/quinta-musas-da-fontinha-no-biosfera/), e outras mais (http://terrasolta.org/sementes/), que são uma lufada de ar fresco num país em que nada parece funcionar e em que reina o pessimismo. Basta abrir a janela e sentir esse ar fresco para se entender que, se quisermos, podemos Mudar, porque a mudança está aí e é inevitável! Então para quê adiá-la? Por último, sugiro a consulta da lista de referências deste artigo (abaixo) onde podem encontrar o acesso electrónico dos documentários citados.

 

Maktub

Sofia Loureiro

Autora:
Guia de Remédios Naturais para Crianças
Guia de Remédios Naturais para Mulheres
Guía de Remedios Naturales para Niños

FACEBOOK: Guia de Remédios Naturais

BLOG: SoPro Verde

GOODREADS (perfil de autora): Sofia Loureiro

Terapeuta Natural  & Escritora
Lic: Biotecnologia
Doutoramento: Química do Ambiente
Formação em Terapias Naturais

Foto: Green and Red Apple

Referências:

Anheim, M. e tal., 2008. Improvement in Parkinson Disease by Subthalamic Nucleus Stimulation Based on Electrode Placement – Effects of Reimplantation. Arch. Neurol. 65(5):612-616

Elbaz, A. et al., 2009. Professional exposure to pesticides and Parkinson disease. Ann. Neurol. 66(4):494-504

Jaud, J.P., 2008. Nos enfants nous accuseront. Documentário Francês com legendas em Espanhol (dividido em 8 Partes): http://www.youtube.com/watch?v=-Pk7oafCC4s

Jeyaratnam, J., 1990. Acute pesticide poisoning: a major global health problem. World Health Stat. Q. 43 (3):139-144

Lyons, G. 1999. Chemical trespass: a toxic legacy. http://www.wwf.org.uk/filelibrary/pdf/chem4.pdf

MDRGF, Mouvement pour le Droit et Respect des Générations Futures. http://www.mdrgf.org/

Montojo, F.P. et al., 2010. Progression of Parkinson’s Disease Pathology Is Reproduced by Intragastric Administration of Rotenone in Mice. PLoS One 5 (1):10pp

Robin, M.M., 2008. Le monde selon Monsanto – de la dioxine aux OMG, une multinationale qui vous veul du bien. Livro & Documentário. Documentário em Francês com legendas em Português (O Mundo segundo a Monsanto, dividido em 11 partes): http://www.youtube.com/watch?v=DFJVlUvD1_Y

Robin, M.M., 2011. Notre poison quotidien – la responsabilité de l’industrie chimique dans l´épidémie des maladies chroniques. Livro & Documentário. Documentário em Francês (dividido em 8 partes): http://www.youtube.com/watch?v=DIg3QJKHjYo&feature=related

Tanner, C.M., et al., 2009. Occupation and Risk of Parkinsonism. Arch Neurol. 66(9):1106-1113

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