o Papalagui

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O Papalagui, recolhidos por Erich Scheurmann

Título original: Der Papalagi

Discursos de Tuiavii, chefe de tribo de Tiavéa nos mares do Sul.

Papalagui – assim os samoanos chamam aos brancos, e assim Erich Sheurmann chamou à crítica da civilização ocidental posta na boca do chefe samoano Tuiavii que registou um êxito editorial estrondoso. Seduzindo milhares de leitores, tornou-se um autêntico best-seller e livro de cabeceira de certa cena dita alternativa.
O Papalagui não pode ser visto isoladamente. Insere-se numa tradição literária secular e numa mitologia de vigor excepcional : o sonho do paraíso terrestre. Este sonho fixa-se Continuar a Ler: no século XVII nos mares do Sul que começam então a ser explorados sistematicamente. Tudo ali se procura, naquelas regiões longínquas do Pacífico: um clima feliz, uma natureza generosa onde sobrevive o ‘bom selvagem’ de Rousseau, inocente e nu, libertado das pressões do dia-a-dia e sem necessidade de trabalhar. Ellen Heinemann, Diário de Notícias, 1984
Excerto:

“Podereis reconhecer também o Papalagui pelo seu desejo de nos fazer crer que somos pobres e miseráveis e que necessitamos de muita ajuda e piedade, em virtude de não possuirmos “coisas”
Queridos irmãos destas muitas ilhas: permiti que vos diga o que é uma “coisa”.

(…)
“Resumindo: baús de pedra com os seus muitos homens, fundas gretas de pedra correndo para um lado e para outro, quais mil e um rios, com seres humanos lá dentro, barulho e estrondo, poeira negra e fumo por toda a parte, árvore alguma no horizonte e nada de céu azul, nada de ar puro ou de nuvens – a isto chama o Papalagui uma «cidade», criação de que muito se orgulha; quando muitos há, que ali vivem, que nunca viram uma floresta, um céu lavado ou o Grande Espírito, face a face. Homens que vivem como os animais que rastejam nos pegos e se escondem sob os corais; e ainda estes estão rodeados pela límpida água do mar, e o sol ainda lhes chega com a sua cálida boca. Orgulhar-se-á o Papalagui desses calhaus que assim juntou? O Papalagui é um indivíduo de um bom senso algo singular. Faz imensas coisas sem sentido que o põem doente, e apesar disso gaba-se e vangloria-se delas.”

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